#Inspira: Priscilla Onirá

13.5.15 ∙ , ,
Boa tarde!

Já falei para vocês aqui que o #Inspira tem a intenção de apresentar pessoas que apostam na sua criatividade e por conta disso, servem de inspiração para nós. A inspiradora desta semana é Priscilla Onirá, psicóloga por profissão, formada pela Universidade Federal de Sergipe, e artista por amor.

Para vocês terem uma ideia, Priscilla é idealizadora do projeto Ar Menina, juntamente com sua amiga, a também psicóloga Laís Alves. O coletivo surgiu com um grafite delas no Aeroporto Santa Maria, em Aracaju, em 2013. 

Priscilla e Laís Alves, "Ar Menina" e o grafite que deu início ao coletivo (Imagens: Facebook Ar Menina)

Além disso, ela é autora da tirinha Píula, que surgiu como uma ideia de ilustrar os textos  que sua prima Carol Barcellos, formada em Letras, postava no Facebook. Carol foi quem batizou o nome da tirinha, fazendo referência à “tá com a píula”, uma interjeição das antigas.

A rabugenta Píula, haha! (Imagem: Facebook Píula)

Para saber quais as ideias por trás desta mente criativa, bati um papo com ela.

1. Você é psicóloga formada pela UFS, mas sempre esteve envolvida neste mundo de arte. Como você relaciona estas duas áreas?
O olhar que tenho sobre a arte foi o curso de psicologia que me proporcionou. Vejo a arte então como produtora de linhas de fuga na produção de uma subjetividade potente, isto é, de uma saúde singular. Podemos ter com a arte então bons encontros, como nos diria Espinoza, pois ela é capaz de nos potencializar, de nos fazer agir. O que pode acontecer com quem produz ou com quem vê arte, o que pode ocorrer inclusive em meio a cidade. Busco então unir esses interesses em meus estudos, no momento meu tema de mestrado é a Intervenção urbana com Miudezas e Grandezas na cidade de Aracaju. A Intervenção com Grandezas é feita com graffitis, que fiz acompanhada por Cirulo e Laís Alves. Já a intervenção com Miudezas é feita com quadrinhos (9x12cm) abandonados nas praças junto a um post-it com a frase “Me leva pra casa...”. Essas intervenções ocorreram no começo desse ano, principalmente em março de 2015.
2. Ultimamente tenho visto no seu Instagram, intervenções urbanas que você tem feito pela cidade, espalhando adesivos nas ruas. Qual a proposta desta ação? 
Tenho grande interesse por arte urbana, os graffitis e as pichações são suas formas mais conhecidas que também me instigam bastante. Mas particularmente acho uma graça especial nos stickers, pois tem que ter um olhar mais aguçado para achar. Como também viajo bastante é uma forma simples e rápida de deixar minha marca pelas cidades que passo. Faço isso com adesivos e post-its que são mais leves que sprays e stencils. Foi também a partir desse interesse pelo miúdo, dessa ideia dos adesivos pequeninos e se as pessoas os veem ou não (ou até se gostam ou não) que surgiu a intervenção urbana com miudezas com os quadrinhos abandonados pedindo acolhimento nas ruas.
Intervenção urbana "Me leva pra casa" (Imagens: Facebook dela)
3. Como a pintura surgiu na sua vida? Você fez algum curso ou aprendeu sozinha? 
Fiz um curso quando era pequena, de 98 até próximo ao vestibular, depois parei com o curso e continuei pintando em casa. Quando terminei a graduação em psicologia foi que comecei a me dedicar com mais afinco e iniciei um curso com Elias Santos (745 Espaço de Arte), o que é bastante interessante, já que a vivência lá vai além da aprendizagem da pintura e do desenho e com certeza também faz parte do processo.


4. O que te inspira? Como é o seu processo criativo na hora de pintar e tocar seus projetos? 
Meu projeto principal é Onirá e Nhandu que são personagens singulares e fantasiosos que expressam muito de mim, tanto que nem sei quanto. Já ouvi muitos falarem que Onirá é um auto-retrato, não era essa a intenção, mas acho que me enganava. Agora inclusive adotei seu nome como parte do nome artítisco, mas foi meio por acaso isso também. Procuro expressar nela algo de muito feminino e singular, de uma liberdade e rebeldia suave e sonhadora. Tenho interesse em referencias as culturas afros e indígenas quanto as estampas dos vestidos e batismos dos personagens. Nhandu é uma palavra indígena para ema e Onirá vem de Oya Onira, orixá africana, nome que também lembra onírico que caracteriza muito esse universo de devaneio que eles estão imersos.
Acredito que sempre em qualquer projeto você se coloca um pouco ou um pedaço diferente de você, com a Píula dá para ser meio deprê, mais irônica e mais óbvia também. A inspiração pra Píula é o cotidiano mais duro, as desilusões. E como referencias nessa área gosto do Dahmer dos Malvados e do Pintinho (que Carol, co-autora da Píula, me apresentou).
5. Quais novidades e futuros projetos podemos esperar? 
Espero poder me dedicar mais e mais a pintura, a intervenção urbana, a produção em coletivo e quem sabe poder registrar academicamente mais encontros entre a arte e as cidades.

Quer acompanhar os trabalhos dela?

Conheça o portfólio dela lá no Behance
Acesse o Flickr  para ver seus quadros disponíveis. A compra é feita diretamente com ela (Facebook pessoal).
A compra de quadros também pode ser realizada por meio da Galeria Zé de Dome

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Priscilla, muito obrigada, sua criatividade realmente é inspiradora e faz com que a cidade e meu quarto (tenho um quadro dela na parede) fiquem mais bonitos, parabéns!

Beijo, gente!


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