#Inspira: Márcio Tiago e seus zines

16.6.15 ∙ , ,
Depois de tantas inspiradoras, é a vez de um inspirador aparecer nesta edição do #Inspira e ele é meu querido amigo Márcio Thiago. Poderia ter sido "Escorpiões Voadores" ou "Keanu, Let's Do It", mas o nome escolhido por Márcio para batizar seu zine foi "Ouija". O motivo? A busca por um título mais fantasmagórico. A tábua ouija sempre exerceu fascínio nele. Além disso, o zine "pode ser interpretado como um meio de comunicação com as forças ocultas do passado, presente e futuro (na verdade, pensei em tudo isso somente depois)".
Capas de cinco edições do Ouija (Imagens: Facebook Zine Ouija)

Vamos falar sobre seus zines, sua inspiração, colaboradores e mucho mais. Então "Keanu, let's do it"!

1) Quando surgiu a vontade de criar um zine? 
A vontade existia há um tempo. Embora não fosse um ávido consumidor, sempre acreditei muito no formato dos zines - livre, independente, de circulação direta. Em 2003 uns amigos e eu ensaiamos até a publicação de um, também na linha mais artística, mas acabou não indo pra frente. Dez anos depois, conversando com o amigo Aquino Neto e conhecendo seu trabalho de divulgação desse universo e o processo de criação de seu próprio zine, o Linhas Tortas, me senti motivado a finalmente dar vazão a essa vontade. Foram cruciais suas palavras para esse começo: não pense demais, apenas faça.
2) Percebi que em cada zine, há a contribuição de dois amigos, qual a real contribuição deles? 
Os convidados são sempre amigos, que colaboram com as fotos e a maioria dos textos. Às vezes eles contribuem exclusivamente para o zine e às vezes com material de sua produção já existente, que é muitas vezes apenas sua própria galeria do Instagram.
Colaboração dos amigos
3) Achei o zine um pouco obscuro. Escrito de modo que parece uma espécie de brainstorm, com pensamentos conflitantes e coisa do tipo. Tanto que há textos escritos em posição circular, fotos e desenhos mais enigmáticos. Afinal, qual a proposta do Zine Ouija? Como você poderia explicá-lo? 
O Ouija é uma combinação aleatória de imagens e textos. Não há um tema geral e não há temas por edições. Por isso talvez pareça fragmentado e tenha esse aspecto meio sketchbook. Não conheço muito de design, diagramação, tipografia, então muito da bagunça que se vê ali é resultado de tentativas, ou apenas falta de preocupação mesmo. Alta-fidelidade não é exatamente um padrão pro Ouija, acredito que as pessoas são capazes de se entreter em meio a uma boa sujeirinha. Sobre o tom enigmático, acho que reflete minha predileção estética por aquilo que é vago, ambíguo, climático e inesperado.
4) Qual sua fonte de inspiração para elaboração dos textos? E as imagens? 

Meus cadernos com anotações de 5, 10, 15 anos atrás, lampejos de reflexão do dia-dia,
simples exercícios de técnica que viram alguma coisa, aquela musiquinha oportuna, vontade secreta de socar ou beijar as pessoas. 
5) Como você analisa a cena de Aracaju em relação a este tipo de cultura de zine, quadrinhos e produções nestes segmentos? E no Brasil?  

Ando impressionado com a quantidade e a qualidade de material gráfico autopublicado no Brasil. Tem gente já fazendo piada, dizendo que todo mundo aqui agora tem um zine, o que eu não acharia nem um pouco negativo. 
Nem todos os zines seguem a linha ilustração/quadrinhos, mas muita gente tem produzido em torno disso. Uma boa parte dos autores utiliza o meio para a divulgação também de ideias, com textos sobre contracultura, modos de vida alternativos, debates de gênero, etc.
De uma forma geral, vejo muitos zineiros e/ou ilustradores usando as redes sociais como plataforma de exibição e divulgação de seu trabalho, ajudando na popularização do estilo. Muitos selos para publicação independente também têm sido desenvolvidos e há uma mobilização significativa em função de eventos que celebram a cultura do zine e a publicação independente.  
Artistas como Jajá Félix, LoveLove6, SHOSH, por exemplo, têm dezenas de milhares de seguidores em suas fanpages e eventos grandes como o Ugra Zine Fest e a Feira Plana têm servido como ponto de encontro e ajudado a difundir esse tipo de produção.
Aqui em Sergipe, atualmente estamos meio tímidos, acredito, mas já temos ilustradores zineiros de trabalho marcante, como Maicon Rodrigues, da Itabaiana, e alguns bastante difundidos nacionalmente, como ÉffAquino Neto, além de produzir o Linhas Tortas e manter um acervo online de zines variados, também comanda uma distro (distribuidora e editora de materiais autopublicados) chamada Café com Veneno, outra iniciativa que vem ajudar no fortalecimento da cena aqui em Aracaju.
6) O que podemos esperar do Ouija? 
O Ouija tem me trazido importantes frutos: motiva minha prática artística constante, me põe em contato com pessoas incríveis e me ajuda a exercitar meu senso de faça-você-mesmo. Espero poder usufruir dessas coisas por muito tempo ainda, então o plano é continuar dando uma forma cada vez melhor às ideias em minha cabeça e contribuindo para o entretenimento de todos até onde puder. No mais, talvez alguma edição seja toda ilustrada com cabelos humanos, vamos ver.
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Márcio, muito obrigada pela entrevista e sucesso! E vocês, curtam a página dele no Facebook e vejam mais do Ouija no Tumblr

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