Figurino de "A Garota Dinamarquesa"

25.2.16 ∙ , , , ,
Imagem: Adoro Cinema
"A Garota Dinamarquesa" é um dos concorrentes ao Oscar, cerimônia que ocorrerá no dia 28 deste mês. O longa conta a vida de Lili Elbe, um dos primeiros casos de cirurgia de mudança de sexo (transgenitalização) da história. Nascida Einar Wegener, um pintor dinamarquês, o filme relata sua vida conjugal com a também pintora Gerda Gottlied e como lidou com o conflito, que na época era considerado perversão, loucura ou uma aberração, hoje conhecido como transtorno de identidade de gênero.
Einar Wegener e Lili Elbe. (Imagem: Telegraph)
O longa concorre nas categorias Melhor Ator (Eddie Redmayne), Melhor Atriz Coadjuvante (Alicia Vikander), Melhor Design de Produção e Melhor Figurino, que é o assunto deste post! O figurinista é Paco Delgado. que também assinou o figurino dos filmes Biutiful (2010) e Os Miseráveis (2012), pelo qual também foi indicado ao Oscar e cujo diretor é o mesmo deste filme que vos falo.
Imagem: Finanzas
Para assumir o figurino de um filme é necessário realizar muita pesquisa, ainda mais quando se trata de uma história real. Lili Elbe nasceu em 1882, na cidade dinamarquesa de Vejle e morreu em 1931, em Dresden, na Alemanha. 

O período conhecido como Belle Époque compreende os anos 1890-1914. O alongamento da silhueta feminina foi uma de suas características, os vestidos eram feitos ajustados ao corpo, das costelas até o quadril, com decotes sempre altos, com cintura no lugar e caimento reto nos quadris. Neste período, o corpete em formato de S tomou espaço, libertando as mulheres dos modelos de corpetes antigos, que eram extremamente ajustados ao corpo, gerando forte incômodo e dores. Em 1908, influenciada pelo movimento das mulheres sufragistas (que lutavam pelo direito das mulheres ao voto), a moda adotou a linha império, prezando pelo conforto, com a presença de saias mais retas e justas.

Pulando uns aninhos e partindo para os anos 1920, não há como não associar este momento a Coco Chanel, a estilista responsável por trazer praticidade ao cotidiano, sem abrir mão da alfaiataria e inspirada nos trajes masculinos. Ela criou o pretinho clássico, a peça mais democrática da moda, e prezava conforto e descontração, mas sem abrir mão da elegância, como foi eternizado até hoje em sua maison.

Coco Chanel e o pretinho básico
O figurino do longa foi todo inspirado nas criações de Jeanne Lanvin, fundadora da maison Lanvin, a mais antiga grife de moda que existe até hoje, Paul Poiret, que libertou as mulheres dos espartilhos apertados e propôs silhueta mais solta, e Coco Chanel. O olhar de Paco Delgado representou muito bem o desconforto que Lili enfrentava. As roupas masculinas eram muito fechadas, com tecidos pesados, já as roupas femininas eram leves, fluidas, dando a sensação da tão desejada liberdade pela qual Lili lutava e ansiava.


Imagem: The Guardian
Imagem: LA Weekly




Imagem: Yahoo

O terno marrom representa um visual mais andrógino. É um terno com cintura levemente marcada e fugindo da rigidez das roupas que Einar usava antes de se descobrir. O vestido azul, por sua vez, é um modelo icônico deste período, com cintura baixa, comprimento midi e silhueta leve. 

Imagem: Towleroad
Imagem: Mail

Em se tratando do filme, recomendo que vocês assistam, confesso que o achei bom, mas esperava mais. Contudo, a história é interessante e o figurino, como vocês puderam ver, é incrível. Agora é torcer pela "A Garota Dinamarquesa" levar pelo menos uma das estatuetas, né?

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