Moda e sustentabilidade: e eu com isso?

30.8.16 ∙ , , , , , ,
Moda e sustentabilidade: acho que nunca se ouviu falar tanto neste assunto como hoje em dia. Vários debates sobre o tema, marcas que adotam estratégias sustentáveis e discussões em cima deste tópico. Desde que assisti o documentário "The True Cost", que já comentei aqui, venho pensando muito sobre isso, ainda mais estudando economia criativa. No entanto fico com a sensação de que parece que acabamos terceirizando esta responsabilidade para "alguém", alguém que deve cuidar deste tipo de preocupação que por lógica também deveria ser nossa.

No documentário "A Economia da Felicidade", é retratado um mundo representado por duas dimensões opostas: de um lado o impacto da globalização dentro do sistema capitalista que cada vez mais explora os recursos do ambiente e, do outro, comunidades coletivas que vêm andando na contramão deste ritmo acelerado, buscando qualidade de vida e vivendo em harmonia com o ambiente, pensando nas gerações futuras.


Apesar de termos muito acesso à informação, a preocupação com a natureza e o impacto que a indústria têxtil causa ainda não são pensadas de forma tão intensa quanto deveria. Para vocês terem uma ideia:
O cultivo das fibras têxteis altera as condições climáticas, ocasiona poluição química, atinge a biodiversidade do planeta e gera efeitos negativos na saúde humana. [...] O uso de combustíveis fósseis na produção de fibras, por sua vez, aumenta a quantidade de dióxido de carbono lançado no ar [...] Quando se pensa nos processos de conversão das fibras em tecidos e, por conseguinte, em peças de vestuário, pode-se identificar diversos impactos à sustentabilidade, causados pela má utilização da água, pelos produtos químicos que são lançados no ar e no solo e até mesmo pelas más condições de trabalho que comprometem a saúde das pessoas que estão envolvidas nesses processos. Os processos de tingimento e lavagem, por exemplo, são de alto impacto ao meio ambiente. (FERNANDES, 2013).
 Cada vez que o consumidor toma consciência do seu papel e da importância que tem no processo de consumo, é possível estabelecer novos padrões de comportamentos que prezem por posturas benéficas. Um exemplo disto foi a redução das vendas que ocorreu na época da denúncia de uso de mão-de-obra escrava da Zara. Ninguém quer perder consumidores, ninguém quer deixar de vender e por mais que a preocupação possa não ser legítima, a cobrança faz com que algumas atitudes sejam repensadas e o consumo seja visto e colocado de outra forma.

Com ciclos de moda cada vez mais curtos e redes de fast fashion que chegam a apresentar cerca de 52 estações ao ano, o slow fashion vem aparecendo como alternativa mais viável e compatível com o estilo de vida que temos: em tempos de crise, acompanhar tendência não parece tão viável e aí a moda atemporal surge como uma opção mais interessante. Porque o atemporal não sai de moda.

Enfim, há muita discussão por trás de tudo isso, mas é possível perceber que o consumidor pode ter voz ativa neste processo com um poder questionador de fazer com que grandes marcas repensem o caminho que vem seguindo na produção das suas peças desde o cultivo do algodão até a forma de distribuição de seus produtos. Discutir de quem é a culpa talvez não seja a questão, pois há muitas pessoas envolvidas em todo este percurso, desde o agronegócio, aos designers de moda, gestores, consumidores, enfim, o que cabe neste momento é o incômodo em relação ao que compramos e consumimos, afinal fazemos parte deste modelo e deste processo. O foco aqui é de quem é a responsabilidade e esta é de todos nós.

Ficou um texto meio desabafo, mas era algo que já vinha me incomodando e decidi expor aqui. Para quem quiser se aprofundar um pouco mais sobre o assunto recomendo estes dois documentários que citei no post e ler o artigo que usei na citação, que é este aqui

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